
Portem-se bem, divirtam-se, bebam muito, comam muito e muitos presentinhos.
Pró ano há mais.
Um miminho para voçês. Play.

| VISITS | ||||
| Total | 567 | |||
| Average Per Day | 13 | |||
| Average Visit Length | 22:36 | |||
| PAGE VIEWS | ||||
| Total | 2,678 | |||
| Average Per Day | 82 | |||
| Average Per Visit | 6.5 | |||

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

O Bandeirinha LEÃO DESDENTADO
Perguntam-me muitas vezes
Se tenho a cabeça na lua
Em que galáxia estou
Em que mundo vivo.
Perguntam-me muitas vezes:
-Não ouviste nada do que se disse?
Alheia a tudo ouço as palavras
Percorrem-me
Prendem-me
Roubam-me ao presente
Levam-me para locais secretos
Desconhecidos
E fazem-me assim parecer
Distante e ausente.
Sorrio quando me perguntam
Onde andas tu?
Respondo simplesmente
Estou dentro de mim.
És um hábito
Que não dispo
Um vício
A que não resisto
Uma febre
Que não passa
És veneno
Sem antídoto
Que se espalha pelo corpo
À velocidade de cruzeiro.
És doença
E és cura
Maldição e benzedura
O mal
E o bem derradeiros
Da criação. Do poeta
Ary pariria o poema:
Nasce nas veias o poema
Agiganta-se.
Filho no ventre
Sangue que corre
Poema volume
Convulsão.
Poema
Sémen palavra
Corpo êxtase
Loucura
Parto
Construção.
Florbela suspiraria o poema:
Ai… Esta inquietude, este desassossego
Que me faz pegar na pena.
Ai… Que penosos são os versos
E que penas, meu amor,
Penando te descrevo.
Ai… Assim penando permaneço
Na tristeza me aconchego
E no canapé, meu amor,
Quando a pena repouso
Desfaleço...
Pessoa questionaria o poema:
Se poesia é aquilo que sinto
Será poema aquilo que escrevo?
E o que esqueço
E se minto
E o que omito?
Se não fica tudo escrito
Será poesia o que sinto
Ou mera reflexão afinal?
Torga faria da Pátria poema:
Um poema nasce
Nos campos da minha Pátria.
Agreste é a paisagem
Forte o poema que cresce
Nos campos da minha Pátria.
Livre o poema ergue-se
E no céu sereno parte.
Fica a Pátria.

certo de que voltas, canção (o amor confuso)
Certo de que voltas, canção,
a incerta hora,
espero como quem mora
só, a visitação.
Sei, por sinais e anjos e desviados,
que rebentas dos sonhos desolados
em flores no chão.
Apenas flores, nem nimbos na lapela.
Flores para a mesa,
com o odor da certeza
de água, vinho e pão.
Apenas flores e tu,
ó meu amor sem nome,
e a nossa dupla fome
dum menino nu.
Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos

- Que serias se eu não fosse?
- Não saberia da cor do amor porque não conheceria os teus olhos.
Não saberia do som do amor porque não ouviria a tua voz.
Não saberia da forma do amor porque não conheceria o teu corpo.
Não saberia do cheiro do amor porque não conheceria o teu cheiro.
Não saberia do sabor do amor porque não teria provado a tua pele.
Revoltar-me-ia com o destino que me privara de sentidos
Conheceria do mundo a metade e seria no mundo incompleto
Perguntaria ao vento, que não sei que tanto me falta?
E caminharia procurando os meus sentidos em ti.
Admito que fui sempre do contra. Quando todo o cinema torcia pelo Bambi, solidarizei-me ternamente com o caçador. Quando todo o Sporting votou em Jorge Gonçalves, coloquei a minha cruzinha no inenarrável António Simões (que, ao que sei, é hoje estivador na doca de Lisboa). Votei Salgado Zenha quando o país se bipolarizou entre Soares e Freitas. Torci pelo corretor Pedro Caldeira quando ele desfalcou metade de Lisboa (afinal, o que é uma pequena extorsão entre amigos?) No caso Casa Pia, estou indiferente à sentença, mas acho que aquela parka vermelha do Bibi era motivo, só por si, para uma pena de 12 a 14 anos. Acho a Teresa Guilherme mais sexy do que a Bárbara Guimarães e a Ana Zanatti mais masculina do que os DZRT. E, por fim, quando todo o país se apaixonou pelo Mourinho, eu pus-lhe defeitos e menosprezei cada vitória do Chelski.
Ela gostava
De olhares cúmplices
De palavras doces
E juras molhadas.
Ela gostava
Do enrolar no corpo
Do desenrolar do corpo
Do acordar da pele.
Ela gostava
De carícias longas
De mãos demoradas
Gestos pausa
Expectativa.
Ela gostava
Do calor nas coxas
Do colar as coxas
De trocar sentidos.
Ela gostava
Da palavra Amor
Da palavra Um
Da palavra Juntos
Da palavra Nós.
by encandescente
Quando ela ainda acreditava que o amor era como nos livros; quando ainda se sentia feliz por ter guardado a sua preciosa virgindade para o primeiro amor e não para o primeiro que lha quis roubar; quando ela ficava deitada com esse homem que foi um estranho mas primeiro amor; quando as tardes passavam quentes na rua e eles ficavam suados na sua cama, abraçados, por momentos em paz;
ela gostava de tirar da estante um dos livros de poesia do Eugénio de Andrade. De lhe ler certas passagens, aquelas que ela ia sublinhando, descobrindo sempre mais uma imagem perfeita, sempre a frase certa, sempre o amor que queria que lhe dissessem (...) um dia.
Com o passar do tempo, acabou por lhe ler todos os poemas. Aos retalhos. Esperando dele uma resposta à sensibilidade. Procurando nele o complemento para si mesma.
Durante uns tempos amou o homem que escrevia aquelas palavras. Repetia-lhe o nome, baixinho: Eugénio. Deixando a volúpia encher-lhe a boca quando chegava à letra G. Mais tarde o poeta fez-lhe companhia. Foi sempre fazendo alguma companhia. Por causa do fracasso com as primeiras leituras de cama, como se o sexo se compadecesse dessas coisas, ela insistiu na tentativa durante alguns amantes. Quando ainda acreditava que o sexo não existia por si só. Quando ainda acreditava que o amor era como nos livros.
(...) Morreu-lhe o poeta. E o amor está nos livros.
Como se sabe, o Centro de Estágio do FCPorto chama-se oficialmente Centro de Estágio do Olival-Crestuma e foi construído teoricamente pela Câmara de Gaia para escolas, formação desportiva de jovens e clubes desportivos da região. Os valores gastos atingiram os milhões de contos conhecidos. Além disso, o local escolhido para a construção deste centro, foi um local que a Câmara de Gaia considera reserva ecológica.Enquanto presidente da Câmara de Gaia, entregou ao FC Porto uma das mais valiosas prendas que o clube recebeu, nos últimos anos, o Centro de Estágio do Olival. Os custos couberam apenas ao município: mais de 16 milhões de euros (quase 3,3 milhões de contos) de dinheiros públicos. Os «dragões» receberam ainda, e à borla, os direitos de superfície por 50 anos e apenas liquidam uma renda mensal pouco superior a 500 euros (100 contos). A IGF descobriu, entre outras coisas, que o avaliador dos terrenos não tinha estatuto para o fazer, incorrendo em responsabilidade criminal.E que não se justificava o interesse público ao abrigo do qual se efectuaram as expropriações urgentes. Como se não bastasse, a garantia do empréstimo contraído pela Portogaia foram os próprios terrenos cedidos ao clube. Outra ilegalidade.As próprias obras foram adjudicadas sem concurso público. De resto, a autarquia, apesar de representada na fundação, «prescindiu da capacidade de influenciar decisões importantes».Em todo o processo, o interesse público foi subordinado aos interesses do FC Porto. Todos os riscos financeiros ficaram do lado público, especialmente o risco de expropriações, o risco de construção e o risco financeiro. Mas os lucros da exploração do Centro de Estágio, se os houver, serão sempre para os cofres das Antas.A Câmara não criou sequer uma estrutura de acompanhamento e controlo da parceria com o FC Porto, SAD. Ou seja, aparentemente nunca se preocupou em fiscalizar a aplicação de dinheiros públicos.como se não basta-se todos os anos é atribuído ao Centro de Estágio um subsídio milionário. O ano passado foi de 3,5 milhões de euros. Este ano, a verba foi de 1,8 milhões de euros. E até já pagaram este dinheiro em Janeiro, quando a proposta só chegou à Câmara para votação há coisa de dois meses.Se pudesses voltar atrás
Emendar todos os erros
E tornar o passado perfeito
Será que o farias?
Se soubesses da despedida
Abririas ainda os braços?
Emendarias o passado
Para modificar o presente?
Conjugarias o verbo ser
Mesmo sendo hoje ausente?
Arriscarias a partida
Se soubesses da chegada?
by encandescente
e eu acreditasse no destino
No fado
Num deus maior e superior.
Se eu acreditasse
Que a vida está predestinada
É escrita e manobrada
Por alguém que não por mim.
Ansiaria o momento da morte
Prepará-lo-ia
Preparar-me-ia
Para face ao deus-mor lhe perguntar:
Eh pá, embirraste comigo foi?
Foi bom para ti? Divertiste-te?
E olhos nos olhos de deus dir-lhe-ia:
Que belo sacana tu me saíste!
by encandescente
Esquece o meu nome
Não o pronuncies.
Não o penses.
Inventa um nome para mim.
Quero nascer na tua boca
Sem memórias nem passado
No momento em que me tens.
Inventa-me um nome
Depois conta-me a tua história
Saberei quem sou quando disseres:
- No início eras tu.
by encandescente