Wednesday, September 16, 2009

NÃO SEI QUE LUZES


Não sei que luzes a bordo

escurecem de sentido a noite larga

e em mim perfilam solenes

as sensações na sombra


flébeis costas

devolvem o mar disperso

e nos flancos do casco

um monótono som singra


só minhas ânsias embaladas

fremem

a cada indefinido promontório

se resignam hirtas

na amurada

ou, se volve um farol,

são nucleares e brancas


mas amanhece

vagam flocos de círios

um sol de adolescência e de novela

descobre a amante insulada


e um sino toca para o pequeno almoço.


Sebastião Alba.

5 comments:

loirices said...

já sentia falta do poeta. A imagem fez-me lembrar que não são só os gatos que na noite...

meh said...

as minhas tb fremem. bué!

Princesa (des)Encantada said...

Gostei. Tudo muda com diferentes luzes. Está visto que tenho de acrescentar mais um livro à lista.

Anonymous said...

Isto agora fez-me lembrar umas coisas. Não sei se amanhã consigo vir trabalhar. Pintou uma depressão.

San said...

Regresso em grande forma (poética, pelo menos)!!