Wednesday, April 07, 2010

Andar à porrada no liceu

Embora eu nunca tenha sido muito dado a essa prática (a força não é o meu forte), no meu tempo andava-se à porrada no liceu. Fosse por questões de namoradas, fosse porque alguém gozava com alguém, fosse porque alguém chateava alguém, fosse porque sim, quase todos os dias lá havia uma zaragatazita ou uma cena de pedrada (sim, andei muito “à pedrada” e aquilo até era giro), uns olhitos negros, às vezes uns pontitos, coisas que acontecem. Houve uma altura mais intensa em que as cenas de pancadaria eram monumentais, com bófia, liceu fechado e tudo (quem andou no grande Liceu de Oeiras sabe do que estou a falar), e aí andava-se à porrada, imaginem, por questões políticas, algo hoje totalmente impensável, numa juventude que nem o princípio do hino nacional sabe.

E isto fez-nos mal ? É óbvio que não, bem pelo contrário. Acho que dar e apanhar uns tabefes na escola devia ser uma disciplina obrigatória, pois ajudaria os alunos a prepararem-se para a selva que os espera e para a luta do dia-a-dia.

Pois bem, agora qualquer troca de tabefes numa escola EB+3F (ou lá como se chamam esses estabelecimentos de “ensino”) chama-se “bullying” e, ai Jesus, é feio e passa na TVI (é verdade é: um tipo arma-se em parvo, apanha uma galheta e aparece na TVI). Os alunos podem bater nos professores, passar as aulas a falar ao telemóvel, portarem-se como jumentos em Lloret, mas se andarem à pêra a coisa fia mais fino e dá capas de jornais, debates na TSF e bla bla bla. Mas que merda é esta ? está tudo louco ? Preocupem-se com coisas importantes e deixem lá os tabefes, que são coisas normais nos putos. Não acreditem na maioria dessas histórias do so-called “bullying” pois regra geral são histórias mal contadas (ainda ontem se soube de mais uma, em que a suposta “vítima” parece que era, afinal de contas, um dos agressores mais regulares).

E vou mais longe, pois gosto de escandalizar e até já fui acusado, num comentário ao meu último post, de estar a ficar mole. Os clientes do Francis vão-me crucificar.

Não gramo esta coisa de os alunos (a alunas) baterem nos professores. É, por assim dizer, uma coisa que me chateia. Todavia, acho muito bem que, em certos casos, os professores possam bater nos alunos (uma reguada, um estalo), tal como acontecia no meu tempo e só fazia bem em prol da disciplina e do respeito, algo que hoje não se sabe o que é. E isto não é só da boca para fora: aqui há uns anos, numa reunião de pais no colégio de freiras onde andavam os meus filhos, disse à directora que os professores estavam autorizados a bater nos meus filhos se eles se portassem mal ou não lhes obedecessem, e dispus-me a conceder esta autorização por escrito. Não aceitaram, porque hoje é politicamente incorrecto (e felizmente acabou por não ser necessário, uma vez que, começando a obediência e o respeito em casa - campo onde nunca tiveram abébias - depois é mais fácil obedecer e respeitar lá fora).

Daqui a umas décadas vamos ver como serão os jovens de actualmente quando crescerem. Temo o pior

Tenho para mim que, mais década menos década, um adulto que saiba ler e escrever ou a tabuada de cor vai ser um caso raro e considerado um intelectual.

14 comments:

Francis said...

"Tenho para mim que, mais década menos década, um adulto que saiba ler e escrever ou a tabuada de cor vai ser um caso raro e considerado um intelectual."
E o google pá ? os putos teclam na cena e aparece tudo...

no liceu de oeiras era só betos pá...em carcavelos - nos maristas - é que era para homens.

de resto concordo com tudo o que disseste...

Brutus said...

Isso do google é uma boa ideia para outro post. Há muito a dizer.

A polícia ia muito aos maristas ?

Francis said...

Ía algumas vezes, havia lá grandes arrais.

Moi Même said...

"Tenho para mim que, mais década menos década, um adulto que saiba ler e escrever ou a tabuada de cor vai ser um caso raro e considerado um intelectual."

Infelizmente parece-me que o problema passa mais por "um adulto que saiba ser educado e ter respeito pelos demais será caso raro".

Isso sim, assusta-me, porque a tabuada ainda é com'ó outro.

Brutus said...

também isso, Moi Même, também isso, e olha que muitas vezes o problema começa em casa.

Nanny said...

Freiras, maristas... esta malta é toda betinha...

Vocês deviam era estar no Liceu Camões nos anos pós 25 de Abril... até a malta do ISTécnico lá vinha para armar cenas de pancadaria... bahhh!!!

Quanto aos alunos baterem nos professores, concordo plenamente contigo!

Esta sociedade está cheia de mariquices com "os meninos e as meninas", porque não se pode fazer nada que traumatize as criancinhas... mas deixá-los arrear nos professores que esses já não têm idade para traumatismos... nem craneanos, quanto mais!

Francis said...

Nanny, pela minha parte assinalo que foi na altura em que os Maristas de Carcavelos se tornaram num Liceu oficial...mau.

quanto ao Brutus confirmo, o gajo é um beto de primeira...

Brutus said...

Nanny, eu sei que o liceu de Oeiras não teve o exclusivo, nem nunca o disse.

Quanto ao mais, não acredites no que o Francis diz. Já ouvi dizer que ele hoje em dia trata os filhos por "você" ...
É uma luta interior que ele tem, aquela de ser um beto-anti-beto

Pulha Garcia said...

Isto anda infestado de meninos da linha!

Quanto ao texto, Brutus. Concordo com várias coisas mas não quando subestimas aquilo que hoje se conhece por "bullying", e que mais não é que um ou mais rufias a assustar quem nem se mete com eles. Sou contra isso. Os alunos têm que ir para a escola estudar e não preocupados em saber quem os vais aterrorizar. Pela minha experiência, as escolas sempre tiveram por prática desvalorizar este tipo de agressões e é errado.

L.Monsanto said...

Pá, subscrevo. Também levei uns puxões de orelhas, umas chapadas e afins, e só me fizeram bem. Olhando para trás, acho que até levei a menos. O meu rico paizão (esteja onde estiver) pecou por não me açoitar mais. Talvez não me tivesse perdido tanto na vida. Mas vá lá, os valores, apesar de uma certa rebeldia, fora-me bem incutidos. A minha irmã é professora e para chumbar um puto, quase que tem de pedir autorização à Presidência da República. E vá, que eu só sou do tempo das 3 disciplinas do 12º. Porque a malta que na primária arroxava forte feio, tipo os meus pais, hoje em dia nem sabem o que são as depressões e as dúvidas existenciais. Essa malta é que é de aço e nota-se, olhando para o percurso deles, que são de outra colheita...

Brutus said...

Pulha, sempre houve e continuará a haver rufias e malandros. A única coisa que pretendi dizer, de forma porventura não clara, é que os fenómenos que agora escandalizam toda a gente já existem há décadas e nunca causaram problemas de maior. Acho, em resumo, que as pessoas se deviam preocupar mais com a qualidade dos professores (não raras vezes fraca), os telemóveis nas aulas (por mim eram pura e simplesmente proibidos nas escolas), os alunos que batem nos professores, as péssimas instalações, etc etc etc e deixarem de se preocupar com minudências e trocas de sopapos. Eu não digo que não haja um caso, num milhão, que não seja efectivamente grave, mas o resto é treta.

L.Monsanto: subscrevo tudo o que dizes, excepto a dúvida sobre o "sitio" onde o teu Pai está. Há coisas em que "conforta" acreditar.

Pedro Coimbra said...

A malta dava e levava uns tabefes (levei mais do que dei, tenho de confessar).
E não era andar à "porrading" ou outra merda no género.
Era mesmo andar ao estalo!
E, que eu saiba, ninguém ficou traumatizado.

Brutus said...

"porrading" é muito bom

Anonymous said...

Mas tu és burro ou quê caralho ?
Uma miuda na minha escola suicidou-se por ser vitima de gozo por parte de outras pessoas. E isso foi um exemplo, porque casos desses, CHOVEM !
Essa coisa de "no meu tempo é que era bom" é uma barbaridade autentica. Para que existe a evolução afinal !? Portugueses mesquinhas! RASCAS !
Acham andar a porrada normal ? Acham levar facas e outro tipo de armas para as escolas normal !?
Devia ter vergonha na cara porque escrever tal coisa !