Monday, October 04, 2010

O "Rei"

Confesso que há certos argumentos pró-monarquia que me parecem muito razoáveis e que, se tivesse que votar num referendo entre república ou monarquia, me iria ver aflito.

Há, todavia, um aspecto na monarquia que me irrita solenemente e que tem a ver com o folclore à volta da mesma e com as caganças que a decoram. Se alguma vez aceitasse ter um Rei, tinha que ser um gajo normal, um tipo decente, um fulano em cuja capacidade de discernimento confiasse. Ora aí é que a porca torce o rabo.

Numa entrevista à “Única”, o D. Duarte Pio diz às tantas o seguinte:

“Os meus filhos, tal como eu e os meus antecessores, cresceram assim, nesse ambiente, com certas regras e certas exigências. Apesar de ainda serem muito jovens, já vão a alguns eventos oficiais, sobretudo o mais velho, o príncipe da Beira”

Temos assim, portanto, que este senhor se refere ao filho, um puto xarila com 14 anos e que ainda nem barba tem, como “o príncipe da Beira” (só se for da beira da estrada, diria eu). Conheço muita gente que trata os filhos por "você" e mesmo irmãos que se tratam por "você". Confesso que me encanita, mas isto bate os recordes todos de tonteria e de cagonismo.

Imagino uma conversa lá em casa:

- “Já disse dez vezes ao Senhor Príncipe da Beira para não colar pastilhas no tampo da secretária ! Ainda o ponho de castigo e transformo-o em Príncipe da Linha de Sintra”

- “Ó Senhor Duque de Bragança, não fui eu, foi a Princesa de Trás-os-Montes !”

- "Esteja calado senão não vai ao próximo evento oficial !"

Eu sei que o motivo é fútil, mas é simbólico daquilo que não tolero e reflecte uma maneira de pensar que considero odiável. Eu não queria este senhor nem para administrador do meu condomínio.

Assim sendo, à falta de melhor, Viva a República !

1 comment:

Francis said...

pois, mas nós temos um gajo que não é exemplo, o homem não joga com o baralho todo. na dúvida prefiro sempre a monarquia.
era para gritar viva o rei, mas arrependi-me.