Tuesday, December 28, 2010

Chateia-me esta confusão entre cús de aluguer e barrigas de aluguer

Notícia: “Elton John e David Furnish conseguiram tornar-se pais, depois de uma primeira tentativa falhada de adopção de uma criança com Sida.”


O jornalista deve ter sentido naturais dificuldades paera começar esta notícia. Terá hesitado entre “conseguiram adquirir um bebé”, “conseguiram comprar a mãe de um bebé”, “conseguiram arranjar uma criança” ou “conseguiram inventar um motivo para aparecer nos telejornais”, mas acabou por optar pelo “tornar-se pais”. Sim, leram bem, “tornar-se”. Eu também já me “tornei pai” por duas vezes. É uma maneira nova de encarar o tema. As pessoas não têm filhos, não procriam, não geram filhos: tornam-se pais.

Depois, a menção ao facto de a primeira tentativa respeitar a uma criança com Sida faz toda a diferença. Se fossem piolhos (“uma primeira tentativa falhada de adopção de uma criança com Piolhos”), varicela (“uma primeira tentativa falhada de adopção de uma criança com Varicela”) ou macacos no nariz (“uma primeira tentativa falhada de adopção de uma criança com Macacos no nariz”) não tinha o mesmo impacto.


Notícia: “O casal teve um filho graças a uma mãe de aluguer na Califórnia, EUA.”


Sim, sempre a Califórnia do costume, so what. Duvida: o puto será irmão do filho do Cristiano Ronaldo ?


Notícia: “O cantor britânico e o cineasta canadiano estão juntos desde os princípios da década de 1990 e a sua união civil foi legalizada em 2005. O casal tentou então adoptar um órfão com Sida na Ucrânia, mas o pedido foi rejeitado por as autoridades ucranianas exigirem que os pais adoptivos tenham menos de 45 anos.”


Esta lei da Ucrânia é chata, convenhamos. A impossibilidade de compatibilização entre “Ucrânia”, “órfão” e “sida” e “casal gay rico ávido de aparecer nos telejornais” é aborrecida. O que é que terá acontecido ao miúdo ? aposto que ninguém o quis.


Notícia: “Elton John e e David Furnish não desistiram e recorreram a uma mãe de aluguer. O bebé nasceu no dia de Natal, com 3,6 quilos.”

É o auge da felicidade (até parece que estou a ver o Elton a comer as enrabanadas e a sentir as contracções) mas suscita-me algumas dúvidas:

- Como é que a criança foi concebida ? espero que não tenha envolvido penetração em alguém que não seja portador de um pénis, tipo uma mulher, arghh.

- Quem é que vai amamentar a criança ?

- Porque é que não se tornaram proprietários do último modelo Rolls Royce ?

- A criança vai dormir na garagem ao pé dos outros brinquedos ?

- A partir de que idade é que a criança vai começar a usar óculos de palhaço ?

- Os “pais” vão ensiná-la a brincar às escondidas ou ao quarto escuro ?

- Como é que estas merdas são possíveis ?

15 comments:

The one you know said...

O facto de adoptarem uma criança não me incomoda.

Já a noticia sensacionalista, não posso dizer o mesmo.

ó Roberto... Este post foi um bocado homofóbico não foi?

Roberto said...

Foi. Eu sou homofóbico. Não tenho nada contra paneleiros discretos, tal como os hetero o são.
Todavia, geralmente a paneleiragem vem associada a plumas, lantejoulas, óculos berrantes e, o top dos tops, as paradas gay. Gostam de dar nas vistas, ser falados e têm orgulho na sua sexualidade desviada.
Esta história da criança é só mais um exemplo das plumas e lantejoulas e eu acho que com crianças não se brinca.

Anonymous said...

Concordo inteiramente com a tua resposta Roberto..Nao tenho nda contra a orientaçao sexual de cada um..agora no que toca a crianças devia haver mais sensibildidade,,alias deviam ser expressamente proibido acontcer situaçoes destas..

Parabens pelo Blogue,,Adorei,,Gostava de te "seguir"..mas nao sei como..tenho blog no sapo..

Francis said...

eu já tive esta discussão contigo, por isso abstenho-me de comentar, vou-me sentar aqui e seguir com todo o interesse esta conversa.

Francis said...

mas não posso deixar de referir uma frase que ouvi ontem num programa sobre adopção de crinaças, feliz coincidência, em que uma pessoa de uma organização que regula adopções internacionais, e a propósito da tragédia no Haiti onde há quase 500.000 orfãos, essa pessoa dizia que as crianças não se imprtam que tu sejas branco, preto, chinês, hetero, gay, as crinaças só querem alguém que as ame, querem sentir-se amadas.

Roberto said...

Sim, claro, e tu achas que esta criança vai ser amada. Só te faltam as asas para seres o maior anjinho do mundo.
Eu tb acho que sim: da mesma forma como amam os poodles com lacinhos e os gatos que têm lá por casa, os Rolls e as pulseiras.
Vai sentir-se amada como o catano. Nem queiras saber.
Já agora: porque que será que elas não foram "buscar" uma ou várias dessas infelizes ao Haiti ? até eu ia ... mas eles não...

Ultima nota, caso estejas distraído: isto não é uma adopção, logo não há coincidencia com o programa que viste.

ps) nunca tive nenhuma discussão contigo sobre duas bichas velhas que decidem encomendar e comprar uma criança.

Francis said...

tivémos uma discussão sobre a adopção por casais gay.
aqui, o que me parece, é que estás mais chateado com o teor da noticia e com o facto de ser o Elton, do que com a adopção.

porque é que assumes à partida que a criança não vai ser amada e bem tratada ?

Pulha Garcia said...

Roberto, pá

1. por coincidência, ía escrever sobre isto (ía começar por "alguém sabia que o Elton estava grávido?");

2. Sou totalmente a favor do casamento de homossexuais e totalmente contra a adopção por casais gay (já sei que o Francis pensa diferente neste último aspecto);

3. O teu tom homofóbico é, como todo o respeito, vergonhoso. Sei que és bom gajo, directo e intelectualmente honesto, e também não gosto de ver casais homossexuais a exibirem indiscrição (como não gosto de casais hetero nas mesmas circunstâncias). Mas nem todos os homossexuais são assim, e mesmo que o sejam, quem não gosta só tem que se afastar deixando os outros a viver a sua vida. Quem não é capaz de aceitar os outros nas suas diferenças nunca vai ser capaz de ser totalmente feliz.

Bom ano a todos

Nanny said...

LOL

Não tem 2 pais, porque se leres bem a notícia diz: "Elton Jonh e o marido..."

E faça o favor de não se tornar homofóbico, que fica muito mal a um dono de loja que se preze... daqui a pouco põem na porta da loja: Homo não entra!

Vá lá, tolerância é sempre bonito... :-)

Beijocas e boas entradas... em 2011 ou... whatever ;-)

Abobrinha said...

Roberto

O teu post foi extremamente homofóbico e cometeste os erros clássicos: confundir homossexualidade com pedofilia e achar que qualquer homossexual (sozinho ou em casal) quer uma criança como uma experiência ou um troféu.

Não te ocorreu que um homossexual é um adulto que escolhe e é escolhido por outro adulto e pode ter sentimentos maturos e sinceros de amor maternal ou paternal por um filho? Parece que não: tem mesmo que ser um capricho, claro! Já os casal hetero, com todos os maus exemplos que temos (pessoal que abandona, mata, aborta, atira bebés de muros) são exemplos de virtude! Todos eles! Sem excepção!

O nosso termo "barriga de aluguer" ou (pior) "mãe de aluguer" é muito infeliz. Apoio este tipo de maternidade: é muito mais honesto que muitos que andam por aí e resulta em filhos muito desejados. E cada qual sabe de si, desde que não magoe ninguém. As crianças adaptam-se a todo o tipo de realidades, haja amor e tolerância da sociedade.

Uma coisa é certa: não és obrigado a gostar de paneleiragens. Só és obrigado a respeitar as opções/características de sexualidade de quem não faz mal a ninguém e tem tanto direito à sua sexualidade como os outros. Desde que não faça mal a ninguém, vale tudo.

Roberto said...

Abobrinha: deixa-me lá cometer os "erros clássicos", ser uma besta e tal.
Dá-me o direito de ser o burro e ignorante e tu a inteligente letrada. Pode ser ? agradecido.

ps) e não, nem por um segundo acredito em apelos súbitos de "maternidade" aos 65 anos. Deve ser porque sou burro mesmo.
Ao contrários dos meus amigos espertos, modernos e muito mais felizes do que eu, ainda continuo a, se puder escolher, preferir a via do um homem, uma mulher, uma queca e um pai e uma mãe em casa. Deve ser do meu mau feitio ...

Abobrinha said...

Eu deixo-te cometer os erros que quiseres, mas não faças os outros sofrer por eles. Agradecida.

Precisamente: podes escolher, escolheste, está escolhido. Não precisas de vir justificar a tua escolha gritando a quem quiser ouvir que tu estás certo e os outros errados. Pode ser? Agradecida.

Roberto said...

Minha querida (permite-me):
1. Não faço ninguém sofrer com os meus alegados erros. Ao que parece, com os meus textos terei ofendido a sexualidade de alguns leitores. Foi sem querer e já pedi desculpa. Não sei que mais possa fazer.
2. Não justifico escolhas nem tenho que justificar. Limito-me a gostar de umas coisas e a não gostar de outras. Será assim tão grave ? não me parece. Não tenho o direito de gostar de algumas coisas e não gostar de outras ? parece que não.
Ao contrário do que fazem comigo, não digo quem está certo e quem está errado, nem chamo "ignorantes" a quem não pensa como eu.
Os tiranetes intolerantes são vocês, meus caros, que desatam a ofender quem ousa discordar dos vossos dogmas. Right ?
Eu só quero ter o direito de não gramar algumas coisas. Entendidos ?

Anonymous said...

sabes Roberto tens toda a razão!!! Se eles podem ser paneleiros e orgulhar-se porque não podem as outras pessoas ser homofóbicas e não gostar de paneleiragem? É para isso que serve a democracia e a liberdade de expressão ou não??? Quero ver como é que vai ser a próxima geração!!! Se calhar nascem de antenas na cabeça e um gajo tem que achar bem!!!

Roberto said...

Obrigado anónimo. Haja alguém que perceba o significado da palavra "democracia"...