Saturday, January 01, 2011

Alguns votos para o Ano Novo

Que o FMI chegue o mais depressa possível, antes que seja tarde demais.

Que, até lá, os políticos não agravem muito mais a situação do país (pedir que a melhorem ou não agravem é utópico) e que não desbaratem de forma tão obscena os dinheiros públicos (só a título de exemplo recente, os milhões e milhões de euros que foram gastos em festanças, festas e festarolas de fim de ano em tudo o que é autarquia deixam-me arrepiado).

Que enquanto houver um português com fome seja proibida a venda de fogo de artificio pago com dinheiros públicos.

Que os desempregados precisem mesmo de aceitar os empregos que lhes são oferecidos, para que deixem de viver à conta dos subsídios de desemprego.

Que os governantes tenham coragem para permitir o despedimento sem justa causa, mediante o pagamento de uma indemnização pré-determinada.

Que se perceba a diferença entre o funcionamento normal dos tribunais e as férias judiciais.

Que o número de gays continue a aumentar desmesuradamente, ao ponto de restarem somente 2,5% de homens heterossexuais.

Que a “Lei anti-tabaco” não seja objecto de alterações fundamentalistas, mas que seja devidamente regulamentada e fiscalizada.

Que alguém tenha finalmente a coragem de enfrentar os vergonhosos cartéis das gasolineiras e das operadoras de comunicações.

Que se comece a perceber que a conhecida generosidade dos portugueses devia ser aproveitada e direccionada para atacar de forma perene as origens das carências e não para entregar paliativos efémeros.

Que aumente de forma assinalável a oferta de carros movidos a electricidade, lutando-se contra as forças (pouco) ocultas que há décadas o têm vindo a impedir.

Que a Porsche não faça nenhum novo modelo com quatro portas.

Que os frequentadores da Loja sejam mais democratas relativamente às opiniões dos outros quando são diferentes das suas.

Que os árbitros apitem os jogos com competência, isenção e honestidade (sim, eu sei que é impossível), isto é, que o Benfica seja campeão.

Que o Francis perceba finalmente que o Sporting não presta e se inscreva como sócio do Benfica.


Ps) Quando, uma vez de dois em dois anos, tenho dezoito minutos disponíveis e vontade para o efeito (que não abunda, confesso), dou uma voltinha na blogosfera. Vejo então vários blogs em que autores anónimos – com uma designação tipo Tintim, ou algo assim – escrevem coisas muito “sérias” e “profundas” sobre a sua vida pessoal, profissional, sentimental, familiar e até por vezes questões da sua intimidade. Depois, vêm os outros anónimos (os Ratos Mickeys e tal) e comentam tudo de uma forma muito séria (geralmente levam-se todos muito a sério) e opinam sobre as vidas uns dos outros (penso que a regra é elogiarem-se uns aos outros, o Becas gosta da Gatinha e a Rosa Malmequer diz muito bem do Carapau de Corrida e sempre vice-versa, podem cruzar-se na rua e não se conhecem), mas sempre tudo anonimamente e utilizando nos seus perfis, em regra, fotografias de pessoas que gostariam de ser ou então imagens simplesmente patéticas.

Ora, isto suscita-me imensas dúvidas. Porque é que expõem de forma tão exuberante as suas alegadas vidas mas depois não dizem o nome ? porque é que falam tudo tudo tão tão certinho e postam e comentam sempre escondidos(as) no anonimato ? será tudo falso, tudo ficção, até as supostas experiências e inconfidências ? será que essas vidas seriam as vidas que essas pessoas gostariam de ter e não têm ? será que não podem pôr o nome porque senão quem os conhece saberia que o “Artolas Malandro” afinal não é piloto de F-16 mas sim balconista na Zara, que o acidente que teve não foi no Jaguar mas nas escadas do metro e que aquela abastada cultura geral que exibe foi adquirida em 30 segundos no Google ? li algumas passagens em alguns blogs que não tenho a menor dúvida de que são copy and paste. Até chateia.

Como é que se perde tempo a ler, pensar e comentar vidas virtuais de gente anónima ? What’s the point de tudo isto ? não haverá outras formas mais interessantes de gastar tempo, sei lá, por exemplo com pessoas reais e com nome ?

Quando, em 2013, tiver novamente os tais 18 minutos, vou tentar gastá-los unicamente nos blogs do Benfica, porque esses só falam verdade, não são escritos por sonhadores(as) armados(as) em intelectuais de aviário, nem por poetas de trazer por casa.


9 comments:

Anonymous said...

Li tudinho.
Estão reunidas as condições para seres primeiro ministro...

Roberto said...

Tudinho, Anonymous ? que grande seca, gabo-te a pachorra.
Agradeço a confiança, mas não quero ser Primeiro ministro. O ordenado não me chega.

Anonymous said...

hummm.... palpita-me que tens um porsche 911 turbo... 4 rodas motrizes, apropriado a quem não tem "unhas" para um verdadeiro porsche com tudo atrás!
quanto ao seres "benfica" fazes bem: sem a vossa maioria nós do fcp não gozaríamos tanto com as vitórias!
Bom Ano!
carlos Anónimo pinto

Roberto said...

Carlos,
Não sei se sabes, mas eu sou um homofóbico assumido (e, ao contrário do que eu pensava, tal maleita não consiste em não poder comer ovos). Vai daí, a expressão "tudo atrás" não consta do meu código genético.
Quando as erecções começarem escassear logo pensarei em comprar um Porsche. Até lá não me faz falta.
No que respeita à bola, por acaso tinha ideia que o glorioso era o campeão em título, mas na volta estou enganado.
Bom ano para ti também !

Francis said...

eu cá acho o porsche 4 portas uma coisa do outro mundo, é lindo, pá.
sporting sempre, sempre, sempre, sempre...antes ser gay promisuco do que ser desse clube vermelho.

Roberto said...

Por acaso há um com 4 portas de que eu gosto: o Cayenne. Todavia, é um bocado como o Ipad: ninguém sabe para que serve.
Quanto ao Panamera, fica então com ele.
Grato por não mudares para o Benfica, pois não me estava nada a apetecer mudar para o sporting.
"Gay promiscuo" é um pleonasmo.

Francis said...

não gosto nada do Cayenne.
adoro o Panamera.
ficamos assim, pronto. ( tu é que sugeriste que eu mudasse, foda.se )
dizes tu.

Roberto said...

O que eu digo é que não faria sentido sermos os dois do mesmo clube, pá !
Como é que refilávamos um com o outro ?

Francis said...

é verdade, não tinha graconha nenhuma. sei de quem cá vem só para nos ver À bulha...