Thursday, April 07, 2011

Rentabilizar o potencial interno

Ora o nosso país tem numa mão a geração mais qualificada de sempre, e na outra, uma população envelhecida. A geração mais qualificada não encontra a remuneração que acredita merecer, e a população envelhecida não recebe de volta os afectos que outrora esbanjou e muitos vivem abraçados à solidão. Vamos juntar o útil ao agradável e criar a "Rentabilização de humanidade", ou seja, vendemos os afectos a quem deles mais precisa.

Já imagino a propaganda: "Está sozinho? Tem um neto que não lhe liga ou um filho que não fala consigo? A nossa empresa possui um vasto leque de netos e filhos com diferentes alturas e cores de cabelo! Escolha já hoje o seu neto preferido ou sinta-se novamente a dar à luz em troca de uma módica quantia! Promoção desta semana: compre um neto e no segundo tem um desconto de 50%". A forma de pagamento seria uma herança, uma parte dos rendimentos, fios de ouro (amarelo ou branco), etc. E as visitas dos familiares postiços ocorreriam uma a duas vezes por semana, consoante as posses de quem requisitasse o serviço, num puro momento de prostituição dos afectos.

No fundo trata-se do surgir de uma nova profissão e do apostar de forma inteligente num sector que nunca tem fim, pelo contrário, tem cada vez mais procura. O cliente fica satisfeito pois ganha um neto, irmão, sobrinho, neto, filho com curso superior (logo tem motivos para estar orgulhoso e dizer aos amigos "O meu neto é doutor...") e o prestador do serviço fica contente por finalmente alguém lhe dar o devido valor e sentir orgulho na pessoa que ele é construindo por fim uma auto-estima alicerçada em crenças inquebráveis.

Curioso, vivemos numa época onde reinam as redes sociais e estamos rodeados de contactos e no entanto nunca fomos tão solitários, como tal, embora aproveitar o desespero de alguém?

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