Saturday, September 17, 2011

Sou um fascinado

Acreditem ou não tenho um enorme prazer em aprender, e a capacidade de transmitir por palavras uma ideia bem concebida fascina-me. Inocente? Talvez, admito. Porém dentro da escrita há aspectos que me irritam profundamente.

Quem, nos dias que correm, nunca recebeu uma SMS, e-mail, bilhete escrito no qual um assassino da língua de Camões substituiu o “Q” pelo “K” e o “S” pelo “X”?
Qual é a vantagem disto?
Não poupa espaço (por vezes até ocupa mais), não é a forma correcta de escrever, e não melhora a comunicação entre as pessoas. Chamem-me cromo, careta, ultrapassado tanto faz. Eu quando recebo uma missiva com tais substituições fico uns minutos especado a olhar para aquilo procurando entender que raio aquele aglomerado de letras significa. Concluo, portanto, que o intuito de tais substituições seja o de meramente me fazer ficar com cara de parvo (mais que o usual) a tentar decifrar um código. Pelo sim, pelo não e pelo também visto ser uma pessoa prevenida no meu bloco de notas dediquei uma folha onde tenho umas linhas que me permitem realizar uma tradução, quase perfeita, entre este português moderno e o meu português arcaico. É-me extremamente útil sobretudo quando leio alguns ensaios universitários.

É dado adquirido e, espero, do conhecimento geral que o ser humano uma vez com a capacidade de leitura desenvolta é-lhe impossível olhar para um conjunto de letras sem que o seu cérebro de imediato busque ligação entre aquele conjunto de caracteres e lhes atribua significado (originando a famosa leitura). Pois bem, pode não parecer, mas ser incapaz de não ler está longe de significar que se seja capaz de escrever. Mas escrever mesmo, não me refiro a esta escrita comunicativa que usamos diariamente, e sim a escrita literária de qualidade.
Facilidades da vida, hoje em dia qualquer um tem um blog (até eu participo num, imaginem!). E isto é giro, juro. Chego aqui digo umas alarvidades, há umas picardias e no final vem o abraço. A dinâmica disto tem piada. Contudo, eu sou um chato. Muito, muito, muito chato e rabugento. Os meus périplos por outros blogs já foram mais alongados, é verdade, todavia constato que há uma crença enraizada: tenho um blog vou lançar um livro, catano!
Jovem se já pensaste isto, não sabes mais que do que dois sinónimos para as palavras mais básicas, se achas que escreves muito bem então este aviso é para ti! Pára, lê e lança. Mas não lances o livro, existem poucas árvores, lança-te mesmo da janela.

Não é que eu seja contra as pessoas realizarem os seus sonhos, mas sejamos francos há coisas que são de evitar ou não? Claro que há gente de valor e que até dá uns toques na escrita, certo. Agora vamos ao grosso.

E no grosso destes sonhadores temos pessoas que não possuem a eloquência necessária para criar um enredo. Eu também não tenho, mas sou apologista do “Mais vale parecer estúpido do que abrir a boca e confirmá-lo”, e tenho o hábito de o usar. A maioria das pessoas que quer lançar livros não tem criatividade, ideias, discurso fluente, são mais chatos que os discursos do Fidel Castro, e com sorte alguns até acham que Camões foi o primeiro rei de Portugal e perdeu uma vista porque jogava muito ao berlinde quando era miúdo.
Por vezes o sonho nem é bem deles só tiveram o azar que entrar numa idiotice segundo a qual é moda lançar um livro. Nem é por vocação, sonho ou habilidade é só porque o vizinho do lado lançou um livro e ele também quer ser tema de conversa na reunião de condomínio.
Existe ainda um nicho muito particular que não quer lançar livros, somente, almeja uma coluna num jornal. Certo. Alguns têm estofo para a função outros mais valia estar lá um anúncio do Mestre Alves que a malta sempre se ria.

Sou completamente a favor da realização dos sonhos pessoais, desde que tenham por base um bom fundamento e as ferramentas necessárias para o efeito existam. Caso contrário mantenho a minha ideia de que continuamos numa época de egos obesos e anorexia de bom senso.

13 comments:

Malandrão said...

K reflexões tão profundas para um sábado !!!!
Li tudinho, juro, e tentei perceber, mas podes fazer uma espécie de sinopse ?
A gerência agradece.

Agostinho o Charmoso said...

Bom dia para ti também.

Se leste tudo queres uma sinopse para quê?

Compraste acções desta cena por acaso?

Malandrão said...

Sim, comprei, agora tenho 90% do capital social. É bom que me comeces a respeitar, pelo menos enquanto eu não vender isto à Ongoing.

Agostinho o Charmoso said...

Onde é que eu te faltei ao respeito? hum? Vá, exibe lá provas do meu enxovalho em relação a ti!
Trato-te com o respeito a que tu te prestas, é simples.

E escusas de franzir o sobrolho que isso não me assusta. É.

Agora, tipo, é pá conta-me uma coisa... Tu leste o post de uma vez ou retomaste sempre que adormecias?

Agostinho o Charmoso said...

Espera lá, parou tudo! Se tu compraste 90% e eu tenho 10% das acções... o que é que o Francis ainda está aqui a fazer?

Malandrão said...

Li de uma penada. E ficas a saber que tinha um ainda maior para postar tb e que tb demorou mt a escrever !!!
O Expresso ali à minha espera e eu escrever tontices pra ninguém ler ...

Fica para melhores dias :)

O Francis anda aqui para chamar as clientes. É o pussy magnet da Loja.

Agostinho o Charmoso said...

Não seja por isso, ó sócio, publica. Isto está aqui deste a meia noite. Ah... e eu não sou picuinhas.

Mas podemos dar umas chicotadas no gajo ou parece mal?

Malandrão said...

Na senhora, fica para 2ª feira, que tb é dia.

Não só podes como deves. Não te esqueças que ele é lagarto e que já começou a pôr a cabecinha de fora.

Malandrão said...

ps) e sim, eu sou um picuinhas assumido

Agostinho o Charmoso said...

"...já começou a pôr a cabecinha de fora."

Saiu-te muito bem, parabéns! Uma construção fantástica!

Dá-me o teu número o teu e-mail quero sorver toda a tua sabedoria!

Malandrão said...

n percebo a frase "Dá-me o teu número o teu e-mail quero sorver toda a tua sabedoria"

Agostinho o Charmoso said...

Caraças que é preciso explicar tudo. Reconheço publicamente toda a tua sabedoria e cultura, por favor, deixa-me ser teu aluno!

Agostinho o Charmoso said...

Este tipo é complicado, um gajo elogia-o e ele ainda complica!