Saturday, October 22, 2011

Devaneios #1

Observo com curiosidade o fenómeno da descrença num Deus.

Será uma moda?
A ruptura massiva na crença de que o transcendente é possível?
Uma corrente de novos hábitos que elimina esta crença porque quando ela se encontrava mais presente as pessoas viviam na ignorância?

Não sei. Honestamente não escrevo isto para defender que A é melhor que B, longe disso. Sou só eu a pensar alto. Simples.

Será que o "não invocar o santo nome Deus em vão" foi seguido tão à risca que levou ao "esquecimento"? Em França, por exemplo, existiam (desconheço se ainda fazem uso) expressões substitutas que permitiam referi-Lo sem o invocar. Da mesma forma que uma informação poucas vezes recapitulada é esquecida, uma crença (que de uma certa forma) se auto-silencia também não cria raízes, ou então definha.

Aparentemente a crença numa entidade superior é universal a várias culturas e povos, e talvez a descrença seja o fruto de uma rebeldia intelectual. Uma espécie de Grito do Ipiranga racional.
A meu ver, a crença na entidade transcendente a nós será universal a religião (como a conhecemos actualmente) não. Ou é obrigatório que por não aceitar o produto vendido por uma religião, sou automaticamente impelida a negar a existência de Deus?

Talvez Deus seja uma consciência global e transversal a todos, de grande utilidade, na qual choramos os azares e quem atribuímos erros, ou apenas, com quem conversamos e de onde vamos buscar respostas em forma de motivação ou somente uma entidade que nos multiplica as dúvidas. Sair da equação-problema é uma forma de acalmar a consciência de cada um, e assim ter um sono mais tranquilo. Claro que isto daria azo a no final das contas cada um tivesse o seu Deus. De certa forma isto já acontece, se o mesmo acontecimento tem tantas leituras distintas quanto o número de pessoas nele envolvido ou que a ele assiste, porque cada um percepciona a realidade à sua maneira... o conceito de Deus também varia de pessoa para pessoa.

E se Deus for apenas um momento? Sim. Aqueles momentos em que tens um diálogo interno revês o que disseste, a forma como agiste e até reorganizas a forma como enfrentarás a próxima situação similar?

Existem alguns comportamentos que temos que são puramente automáticos, mas como vieram de nós, teimamos em afirmar que tínhamos consciência dos mesmos e que os praticamos porque queríamos. Tretas. Simplesmente é-nos dificil assumir que não controlamos tudo, sobretudo a nós próprios. Então porque havíamos de admitir a existência de um Alguém acima de nós? E que ainda por cima uma instituição diz que Ele nos criou e está sempre de olho em nós?


A questão d'Ele existir ou não parece-me ser a máscara para um facto simples: há um grupo de pessoas que acredita que precisamos de uma entidade que nos guie, puna, acarinhe e dê sentido à nossa existência; e um outro grupo de pessoas que tem uma forte crença na nossa auto-suficiência a todos os níveis.

Felizmente tenho muito a aprender, mas uma das coisas que já memorizei é simples: questionar dificulta a interacção com os demais e conduz a más interpretações. Se Ele existir, espero que seja mais compreensivo que os meus semelhantes.

10 comments:

mfc said...

A sua existência é tão só a negação da bondade!

Sofia said...

Essa frase é catita :)

Francis said...

bué catita

Maria Cachucha said...

Simpatia sua, meu bem :)

Francis said...

por si, meu bem, tudo.

Maria Cachucha said...

mantenha esse pensamento até quinta-feira, primuxo

Francis said...

que passa 5ªf ?

Maria Cachucha said...

O meu aniversário. É, anuncio logo ahahahah

Francis said...

ahahahahahahahahahahahahahahah boa.
a ver se não me esqueço.

Maria Cachucha said...

bota em agenda ahahahah