Friday, October 07, 2011

Era um Salazar fresquinho, sff!


Os transportes públicos são uma fonte inesgotável de conhecimento popular.

Hoje de manhã pelas oito da matina lá estava eu sentada no autocarro a fingir-me de morta, porém de ouvidos bem abertos. No banco em frente duas senhoras na casa dos sessenta falavam animadas para todos os passageiros ouvirem.

Senhora A - Olha eu tenho é saudades do Salazar!
Senhora B - Também eu, ao menos naquele tempo havia disciplina hoje em dia não há nada disso. Os miúdos são burros e malcriados!
Senhora A - Eu que levei tanta porrada na escola e não me fez mal nenhum! Só se perderam as que cairam no chão!
Senhora B - E a minha prima a Berta? Uma professora desmanchou-lhe o pulso à réguada e vê lá se ela não é sossegada e calada?

Nas cinco paragens seguintes falaram sobre joanetes (juro! não é invenção minha!), depois rematam a conversa com...

Senhora B - Isto hoje em dia é uma desgraça ninguém defende os ideais!
Senhora A - Era voltarem uns cinquenta "Salazares" que ia tudo ao sítio.

Não foi possível acompanhar o resto do interessante diálogo porque tive de sair do autocarro.

Eu não sou do tempo de Salazar portanto não vou dizer se o senhor era bonito, feio, simpático ou antipático. Não vivi essa época, não senti na pele o regime, portanto a única coisa que sei são os relatos históricos (o que me deixa de mãos atadas para argumentar com quem viveu a época em questão).
Ainda assim, enganaram-me na escola ou na referida época existiam presos políticos e portugueses exilados... justamente por manifestarem outros ideais que não os do regime de Salazar?

De qualquer forma defendo que as pessoas nascem para ser felizes, portanto, se sentem falta de um regime não-democrático porque não ponderar mudarem-se para um país onde esteja implementada uma ditadura?

ps) Não querendo ser má língua, todavia, ainda me parece muito viva a ideia de só a escola educa e a família só serve para dar o nome às crianças.

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