Wednesday, October 26, 2011

Nascemos para amarrar o burro


"A culpa é do capitalismo" - A certa altura, séc. XIV, em que os produtores de cereais e outros alimentos não conseguiam guardar os seus produtos de um ano para o outro porque obviamente se estragavam, surgiu uma ideia: se não podem guardar alimentos de um ano para outro porque perecem, porém, podem guardar o dinheiro que eles valem. Surge assim a burguesia e o capitalismo dá os seus primeiros passos (apesar da criação do termo ser relativamente recente na História). A distribuição de dinheiro é equivalente à distribuição de poder. E o seu poder é tão grande que hoje anda meio mundo a gritar "Ai Jesus!" ao outro meio...
Deixou de se plantar hectares de milho para receber duas arrobas da colheita, passou-se a trabalhar para receber dinheiro. A moda pegou e o dinheiro veio para ficar. Surgiram assimetrias sociais, claro. Foram desbastadas, mas deixem-se de tretas, enquanto houver dinheiro há assimetrias sociais. O tipo de capitalismo actual é imoral? Não, a moralidade é uma qualidade humana o capitalismo é um modelo económico. Quando se coloca uma "máquina" gigante em funcionamento temos duas hipóteses: ou já possuímos conhecimentos anteriores que nos permitem guiá-la ou somos atropelados por ela e vamos para casa fazer apontamentos.
"Ah não, o capitalismo de estado é que era bom para nós"... sim, resultou na Rússia certo? Bem me parecia.

Os políticos não prestam - Verdade. Estou completamente de acordo. Já olharam bem para o nosso quadro político? É patético. O líder do partida da família é homossexual; o Louçã devia ser preso pelas barbaridades que diz (sim, porque ele sabe perfeitamente que o que diz ia salvar a classe operária por um ano e no ano seguinte a classe operária deixava de existir); o PS parece uma criança que se perdeu dos pais na selva: totalmente desestruturado (e o mais estranho no PS nem foi o Sócrates ou agora o Seguro, o mais estranho no PS foi o seu fundador); o PCP... desculpem mas falham-me os adjectivos no momento. Sobra-nos o nosso Primeiro Ministro que actualmente deve ser o tipo mais insultado do país.
Espero que as medidas resultem, já deviam ter surgido há mais tempo (dez anos atrás pelo menos). Visto já não termos o saudoso escudo o mecanismo é simples: baixam-se os salários, o custo da produção diminui e aumenta a competitividade.

Os bancos são maus - Pois são. Não existem para ser nossos amigos e sim para fazer negócios. E se os bancos na Europa são maus, que dizer dos bancos na América?

A Merkel é que nos está a lixar - Também. A cultura alemã é de um enorme pragmatismo produtivo (ao contrário da nossa, aliás em Portugal se alguém trabalha mais que os outros é porque quer dar nas vistas...). Se algum corajoso quiser fazer a corte à Merkel e convencê-la a deixar a inflação subir...

A greve é que nos vai safar - Se os sindicatos já tivessem feito uma actualização no seu conhecimento e de vez em quando mudassem as virgulas nos discursos eu acreditava, assim duvido. Acho que só falta convocarem uma greve geral para o próximo 25 de Dezembro para se cair ainda mais no descrédito. Claro que há a hipótese de imitar o modelo grego e viver em greve. Sim, dá. Mas se ninguém trabalha, o país não produz como é que querem sair do buraco? Afinal de contas qual é a parte do "Quando se recorre ao FMI é porque o país está na iminência da falência ou já faliu" que ainda não entenderam?

Não há cultura empresarial em Portugal - É uma miragem. O empresário português mal ganha uns trocos em vez de investir na empresa compra um Jaguar para ele e outro para a esposa. No fundo é como se pertencesse à nobreza, o tipo não anda: paira. E esta falta de cultura é fácil de verificar, um tipo ganha um prémio catita no Euromilhões e vai abrir uma padaria numa rua onde já há outras três!
Os nossos empresários são os antigos vendedores de especiarias, só que agora usam roupas mais caras.


Os próximos tempos vão ser duros. Não é novidade. Vai haver fome, miséria e muitas pessoas a morrer (quer seja pela fome, pelo aumento de criminalidade violenta e pelos movimentos que vão surgir). Talvez muitos dos que faziam um sorriso sarcástico quando alguém contava que "no tempo dele" era uma sardinha para sete pessoas passe a achar a sardinha um peixe enorme que dura para o jantar de toda uma semana.

Será que se vai aprender alguma coisa?
Duvido.

Estes tempos são bons para alguém? Teoricamente são bons para nos fazer reconsiderar tudo e mudar a nossa estratégia na vida, na prática são bons para sectores religiosos e comerciais. Quem ainda não notou o aumento de Testemunha de Jeová nas ruas? Quem diz os tipos de Jeová diz das outras religiões. As lojas de penhores crescem como cogumelos. Aproveitar o desespero dos outros e fazer negócio com isso é um dom, o público alvo só tem de estar atento e esquivar-se.
Também gosto dos anúncio dos hipermercados "Nós sim, respeitamos o seu dinheiro" ou então "Os outros falam mas os estudos comprovam que nós somos os mais baratos". Nada como uma linguagem bem empregue para levar à certa qualquer desesperado.

3 comments:

P.M.C. said...

Concordo no geral MAS no paragrafo sobre a Merkel, ha um erro conceptual sobre a inflação: esta depende da quantidade de moeda em circulação e nao da quantidade de bens. A inflaçao aumenta porque a emissao de moeda aumentou... para a mesma quantidade de bens q a sustentam (antigamente era o Ouro mas "agora" - desde Breton Woods - sabe-se lá...). Se a produtividade aumentasse, a inflação ate desceria, provavelmente... Mas tudo isto assenta em indices (como o PIB) que muitas vezes sao completamente irrealistas/ridículos...

Irritadinha said...

Muito obrigada pela correcção, nunca tinha entendido bem essa parte :)

mas isso não invalida que alguém possa arrastar a asa à Merkel, a senhora também tem necessidades!

P.M.C. said...

Ela é física e doutorada em física. Acho q o assunto fica encerrado.