Saturday, October 08, 2011

Teoria da selecção r/K e a sexualidade humana


A teoria da selecção r/K é um modelo explicativo das características biológicas que promovem o sucesso reprodutivo em determinados ambientes. As pressões selectivas levam a que o crescimento população decorra de duas formas estereotipadas: selecção r e selecção K.
As espécies do tipo r caracterizam-se por ocupar nichos ecológicos vazios, produzem elevada descendência a cada ciclo reprodutivo, a taxa de mortalidade da descendência é elevada e os cuidados dos progenitores com as crias são praticamente – ou completamente – nulos (ex: peixes, tartarugas). Já as espécies do tipo K produzem uma baixa descendência em cada ciclo reprodutivo, ocupam nichos ecológicos competitivos, a taxa de mortalidade na descendência é mais baixa que nas espécies tipo r, os progenitores manifestam mais cuidados com as crias e podem mesmo existir associações entre os progenitores (ex: algumas espécies de águias).

De que forma isto tem relação com a espécie humana? No primeiro pensamento ocorre-nos que os humanos são uma espécie do tipo K.

Se fizermos um estudo com dois grupos de homens, em que ao grupo A questionamos qual a idade consideram uma mulher sexualmente mais atraente, e ao segundo grupo em que idade consideram que uma mulher é para eles mais fértil; ao sobrepormos os gráficos estatísticos obtemos uma observação interessante: os gráficos coincidem. Com as mulheres isto já não se verifica. O motivo é simples: as mulheres têm um período relativamente curto de fertilidade - quando comparadas com os homens - ou seja, para os homens mulheres na casa dos 20 anos são manifestamente mais atraentes enquanto para as mulheres já ocorrem variações na idade dos homens que “preferem”, uma vez que, os homens possuem uma maior longevidade na sua fertilidade.

Parece irrelevante? Quiçá, mas pode explicar algumas coisas que geram infindáveis discussões.

Um homem pode ter um filho com uma mulher, e esquecendo moralismos centremo-nos na biologia, nada o impede de ter outro filho com a vizinha do lado, e outro com a colega de trabalho e ainda outro com uma amiga de infância, etc, etc. Este homem tem um grande sucesso reprodutivo, uma vez que pode disseminar os seus genes por diversas fêmeas num curto período de tempo. Todavia, a mulher que engravida, a menos que interrompa, tem nove meses para a gestação do seu filho, portanto até pode procurar um novo parceiro enquanto está grávida que isso não lhe garante nenhum aumento no seu sucesso reprodutivo, e nascida a criança presta-lhe os devidos cuidados no sentido de assegurar a sua sobrevivência.

Nestes termos, podemos dizer que a evolução da sexualidade masculina se aproxima mais das espécies tipo r, enquanto, a evolução da sexualidade feminina encontra maior eco nas espécie tipo K. Não é dificil verificar isto, o período refractário após uma relação sexual num homem é significativamente menor se ele souber que na relação seguinte terá uma parceira diferente (cá está a vantagem na disseminação dos seus genes), e na mulher esse período refractário é maior uma vez que existindo a possibilidade de ter engravidado a hipótese de a seguir ter um parceiro diferente não lhe adianta grande vantagem reprodutiva. Pode ser estimulante noutros termos que de momento não estão aqui em foco.

Os diferentes comportamentos a que a sexualidade masculina e feminina conduzem, leva a que muitas vezes os homens sejam considerados como muito mais infiéis do que as mulheres. São comportamentos distintos e creio que se baralha ainda mais a questão quando é medido o apetite sexual em homens e mulheres. Os homens têm um comportamento quantitativo, ao passo que, as mulheres são mais qualitativas - neste domínio.

Não pretendo desculpar infiéis ou enxovalhar fieis, creio apenas ser uma forma cientifica de observar como nem sempre a educação e as normas sociais conseguem moldar/domesticar a nossa biologia.

Gosto sempre de ter presente que antes de mais somos animais, é a nossa racionalidade e o que dela advém que complica o que se apelida de vida.

2 comments:

Goizzzzzz said...

é estranho quando te descobres num terceiro casamento de um familiar e apercebes-te que o bolo é melhor que o dos outros dois e ficas ali no teu momento.... a abanar....

mas sim, sou um convertido à racionalidade! obg

Irritadinha said...

Acho que por muito que se criem normas e compromissos, ainda que não aconteça, nascemos com a tendência "ao pecado" nos genes...