Friday, May 18, 2012

Manhosos, advogados e advogados manhosos




A noticia é a seguinte:
O Ministério Público apanhou oslíderes da maior rede de lavagem de dinheiro de sempre em Portugal. Háconhecidos empresários e políticos entre os clientes. E foi um dos chefes destarede que transferiu os famosos 5 milhões da conta de Rosalina Ribeiro para a deDuarte Lima.
Entre os portugueses queutilizavam os serviços da rede encontram-se empresários, advogados e algunspolíticos, como Duarte Lima.

Como resultado e consequência desta descoberta, o Sr. Lima foi mandado para casa.

Ainda agora ouvi de novo, natelevisão, alguém dizer a seguinte frase: "Se eu tivesse um bom advogado,fazia o que quisesse e não me acontecia nada".
Ora, esta frase ("ah é tal,se eu tivesse um bom advogado, fazia e acontecia e tal e coisa"), que seouve vezes sem conta, é falsa e tremendamente injusta para a maioria dosadvogados que por cá labutam.
Para que os malandrões se"safem" basta que tenham um advogado (só não se safam os que têmadvogados que são tão maus, mas tão maus mesmo, que até poderiam, porventura, ser alguns dos juízesque por aí sentenciam).
Ao contrário do que se pensa, osbons advogados querem é fugir a sete pés dos tribunais, não querem nada comtribunais e não são os que aparecem constantemente a perorar nos telejornais.
As pessoas tendem geralmente a confundir"bons advogados" com "advogados mediáticos", seja porque estessão previamente conhecidos porque andaram pela política, porque foramdirigentes da feira de vaidades que é a Ordem dos Advogados, porque apareceramou aparecem como comentadores em todo o tipo de programas de televisão, sejaporque exerceram ou exercem cargos em clubes de futebol.
Entendamo-nos: os bons advogadosnão dão a vida para, por exemplo, conseguir prescrições que beneficiemcorruptos, pedófilos, ladrões ou outros criminosos. Qualquer advogado mediano ouestagiário faz isso: as pré-históricas leis são tão más (e garantisticas) e ostribunais funcionam de forma tão deficiente que qualquer advogado ignorante masminimamente criativo faz gato-sapato da pseudo-justiça criminal portuguesa edos "super-juízes" (que, por muito bons que alguns sejam, têm mesmoque aplicar leis arcaicas).
Não devemos dar mais valor a umdefensor de um corrupto que fala muito na televisão do que a um advogado deprovíncia que inventa tudo e mais alguma coisa para safar um tipo de uma multapor copos ou para conseguir uma prescrição de uma coima pela não apresentaçãodo livro de reclamações na tasca lá do sítio. Os expedientes são os mesmos, os princípiossão os mesmos, as regras são as mesmas, as tácticas são as mesmas. São todosiguais. Não são bons advogados: são chicos-espertos.
E, note-se, até é mais fácilconseguir estes obscuros resultados nos mega-processos mediáticos do que noprocesso do criminoso de vão de escada. São dezenas de advogados num concurso àbusca da melhor chico-espertice, da nulidade mais exótica, do recurso mais estapafúrdio. São centenas detestemunhas para emperrar, é a pressão dos media a ajudar. Não são umaassociação criminosa, mas são uma associação de advogados de criminosos (muitos dos quais dizem que exigem que seja declarada a sua inocência mas o que querem mesmo é a prescrição a todo o custo) .

Os verdadeiros bons advogadosestão acima dos tribunais criminais, das prescrições, das corrupções, dasmanhas rascas, desse lamaçal todo.

Os bons advogados não se metemnisso. Aliás, e em rigor, os bons advogados devem mesmo fazer tudo o que lhesseja possível para se manterem longe de qualquer tribunal. Porquê ? porinúmeras razões. Fica para outro dia.

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