Saturday, June 02, 2012

O defeito dos ginásios



Ainda os consegui frequentar durante algum tempo. Experimentei vários, a horas diferentes do dia, em diversos dias da semana, mas acabei por ter sempre que desistir e sempre pelo mesmo motivo.

Passo a explicar:
Para mim, os ginásios têm dois aspectos bastante positivos: a manutenção (ou incremento) da forma física e o contacto visual com um número assinalável de mulheres interessantes em excelente forma e que respiram saúde, vulgo gajas boas (a ordem de importância que se atribui a cada um destes dois factores varia de homem para homem, bem entendido).
Sucede, porém, que, depois de beneficiarmos destes dois aspectos bastante positivos, mormente o segundo (sem que com isto pretenda, note-se, expressar a minha ordem de preferência) vem o anti-clímax, a cereja debaixo do bolo: O BALNEÁRIO DOS HOMENS.
Os balneários dos homens são uns locais horrorosos, assustadores, execráveis e nojentos mesmo. Nunca me consegui habituar ao "ambiente" dos balneários dos homens. Um conjunto de homens nus, com toalhas à cintura ou em cuecas é uma imagem pavorosa.
Um tipo sair do duche e deparar-se com dois gajos completamente nus à sua frente a fazer a barba ou ver um "homem" totalmente depilado a espalhar na sua delicada pele um creme qualquer, como eu vi com estes dois que a terra há-de comer, são situações verdadeiramente traumatizantes.
E o resultado era invariavelmente o mesmo: em vez de sair alegre e bem disposto do ginásio, saia sempre abatido, enjoado e enojado. Nada mais natural quando, depois de vermos (sem querer, como é óbvio) um conjunto significativo de mulheres XPTO vestidas (?) com as suas roupinhas de desporto, damos por nós numa salinha com uma data de homens, uns mais homens do que outros, nus ou perto disso, a vestirem-se ou a despirem-se. É, como disse, o anti-climax, o sofrimento depois da felicidade, a pobreza depois da riqueza, o inferno depois do céu.
Pensei fazer ao contrário – começar pelo inferno e depois passar para o céu – o que me permitiria terminar a ida ao ginásio com outro ânimo. Não seria, contudo, muito inteligente.
Sucede que, ao contrário do que acontece com o balneário dos homens, o balneário das mulheres tem um excelente ambiente. Tudo é bonito, quase bonito ou foi bonito. Calculo que se esteja infinitamente melhor e mais animado no balneário nas mulheres do que no balneário dos homens.
Basta pensar no seguinte exemplo: ver um homem a apanhar um sabonete é uma imagem tenebrosa. Ver uma mulher a apanhar um sabonete pode ser o princípio de uma boa amizade.
Vai daí, comecei tentar a utilizar o balneário das mulheres em vez do balneário dos homens. Pedi, implorei, cheguei a propor um suplemento na mensalidade (tipo "Extra por utilização do balneário das mulheres"), mas, sei lá porquê, nunca anuíram aos meus pedidos. Foram uns chatos, essa é que é essa.
Por este motivo, e só por este motivo, vi-me obrigado a abandonar a minha, aliás promissora, carreira de ginasta.
Aguardo, neste momento, a abertura de um novo conceito de ginásios, oferecendo desde já esta minha excelente ideia aos empreendedores com visão de futuro: ginásios com balneários mistos.
As vantagens serão inúmeras e gostaria de salientar somente estas duas: redução do espaço necessário para os balneários (em vez de dois passaria a ser suficiente um) e desnecessidade de aquisição e colocação de toalheiros.

ps) agora é oficial: finalmente uma boa notícia para os desgraçados contribuintes tugas - vamos pagar poucas diárias a 33.174 euros cada.

2 comments:

Francis said...

Fucking sound

Michael Grasses said...

Francis, man, está descansado: não te quero tirar o pelouro das músicas (tu és um chavalo novo e para ti Dr. Feelgood ou Debussy dizem-te certamente o mesmo).
O pelouro da música e o pelouro das crianças nuas são sempre teus :)