Wednesday, September 26, 2012

Eu e os meus botões


Talvez na sequência do post anterior ou apenas da minha insónia dei por mim a pensar nas profissões. Curioso como antes uma profissão era para toda a vida e actualmente ninguém tem uma profissão e sim uma carreira onde entram conhecimentos de várias áreas.
O mercado é competitivo e mesmo que se seja o maior especialista do país em pimentos se ele não souber o mais genérico sobre alhos e malaguetas, talvez já não esteja assim tão certa aquela vaga de emprego.

Ok, parece estúpido é certo. Talvez por a minha área ser uma das com menos saída sempre vi professores a contarem como passaram de uma formação igual à de tantos outros e foram adquirindo conhecimentos bem diferentes dos iniciais e tornaram os seus canudos produtivos e rentáveis. Criatividade precisa-se, e algumas áreas são mais propicias a ela. Informática por exemplo, é um mundo de opções. Já não ganham balúrdios como há 15 anos atrás mas é uma área onde as pessoas "saltam" de empresa para empresa e conhecimento que adquirem é valorizado, e sim sei do que falo.

O ponto é simples: a vida não é estática e as carreiras exigem novos conhecimentos para responder aos novos desafios, estão todos dispostos a ter este trabalho? Não sei. Alguns nunca se cansam de aprender e fazem bem, conhecimento é poder e agora mais do que nunca. Ainda eu andava no ciclo (não sei como se chama actualmente) já ouvia na noticias que havia mais professores do que vagas. Já foi há uns anos e a noticia repete-se, todos os anos se formam mais pessoas prontinhas para ensinar o BABA nas escolas quando sabem que é uma área com imenso desemprego. Então continuam a ir para lá porquê? "Ah porque é uma paixão!", "Desde pequena me dizem que tenho imenso jeito para o ensino", "A minha avó era professora..."; os motivos são bonitos mas não enchem barriga nem pagam o empréstimo da casa. Ou seja a malta sabe que dificilmente vai exercer o que estudou mas anda 5 anos a queimar pestanas e pagar propinas para chegar ao IEFP com um canudo, para quê? A meu ver: falta de pragmatismo. Somos latinos sentimentais, gostamos que o herói vença no filme e adoramos uma boa despedida com muitas lágrimas... e claro temos um défice acentuado de pragmatismo.

Por outro lado as pessoas com 45 anos são velhas para trabalhar, é um chatice têm filhos, já sabem umas coisas e nem sempre "comem e calam", então troca-se o seu conhecimento e experiência (que nenhuma universidade dá e leva tempo a conseguir) por um maçarico que sabe ler tem umas ideias giras e sai muito mais barato. Ou seja como é que algo pode melhorar se quem entra ainda tem de aprender e quem pode ensinar sai? Claro depois dá asneira. E este acaba por ser outro ponto sensível: afinal o conhecimento interessa para o patrão? Se interessa como o pode manter e até maximizar?

Não se começa uma casa pelo telhado, e para algo progredir é preciso conhecimento. Digo eu.

Uma hipótese, muito bonita diga-se, para evitar despedimento é o redireccionar a carreira dos funcionários. Há excedentes numa área e falta noutra, quem tem competências para saltar de um lado para o outro? É talvez utópico, porém é uma boa ideia.

A falta de pragmatismo nas escolhas que são feitas e a nossa procrastinação em aceitar que tudo mudou e somo nós quem tem de se adaptar ainda vai dar muitos e bonitos títulos de jornais...


2 comments:

Francis said...

Fascista Reaccionária, não sabes o que custa à vida, vai mas é trabalhar.

Não tarda tens a Fenprof aqui à perna...não se pode dizer nada dos senhores professores que tanta dedicação à causa possuem.

Irritadinha said...

sou o que os gajos quiserem, mas eles não deixam de ser burros ao escolherem algo para o qual há uma ou duas saídas. E se a proposta do PCP de ter um ensino superior de borla andasse para a frente isto estava ainda pior.