Wednesday, October 03, 2012

Resumo do jogo de ontem no jornal O Benfica (em primeira mão)



BARCELONA - A QUEDA DE UM MITO

Foi mais uma noite de glória para a equipa encarnada na alta-roda do futebol europeu. O domínio exercido sobre o Barcelona foi brutal, acantonando o adversário junto à sua grande área durante praticamente todos os 90 minutos. Foram poucas as vezes que as estrelas blaugranas conseguiram sair do seu meio campo, dada a pressão muito alta imposta pelos da casa, e só o fizeram através do seu mágico de serviço, o jogador francês Merci.
O Barcelona nunca conseguiu evitar a sufocante avalanche de futebol atacante imposta pelos jogadores benfiquistas e pareceu muitas vezes completamente desorientada, humilhada mesmo, caindo cilindrada aos pés da arte e da táctica da equipa da Luz, conhecida como Tiki Caka.
Foram muitas as vezes que se viu Tito Vilanova a tirar notas, crê-se que relativas à táctica posta em campo pelo Benfica. Tito é um jovem treinador, que certamente gosta de aprender e ontem teve uma excelente oportunidade para isso, pois o que uma Benfica deu ao Barcelona na catedral da Luz foi uma verdadeira lição de futebol.
A propósito de táctica, a concebida por Jorge Jesus consistiu em "dar" a bola ao Barcelona, permitindo-lhes a respectiva posse e troca, durante cerca de 75% do jogo, enquanto os jogadores benfiquistas, poupando preciosas energias, iam vendo jogar e assim exercendo uma tensão insuportável sobre os jogadores da equipa catalã, que, por tal motivo, terminaram o jogo física e mentalmente esgotados, rendidos ao futebol-maravilha que viram na Segunda Circular.
Como consequência desta táctica aplicada na perfeição pelos encarnados e da magia posta em campo pelos seus jogadores – com um nível notoriamente muito superior aos do país vizinho, diga-se em abono da verdade – o Benfica fez diversos remates à baliza que podiam perfeitamente ter dado em golo, não tivessem sido defendidos ou falhado o alvo.
Nos últimos quinze minutos os homens do Barcelona não hesitaram em fazer tudo o possível para "queimar tempo", com o propósito de evitar uma humilhação ainda maior. Assistiu-se então a um sem número de selváticas agressões aos jogadores da Luz, salientando-se uma agressão de Busquets a Maxi Pereira (com o nítido e maldoso propósito de ser admoestado com um vermelho) e uma outra em que o cotovelo do Matic foi violentamente atacado pela cara de um jogador adversário, com o manifesto propósito de lhe causar uma valente dor no mesmo. Valia tudo e o próprio Puyol se viu na necessidade de "queimar tempo", simulando – com particular mestria, convenhamos – a fractura de um braço, só para ganhar dois ou três minutos e tentar travar o sufoco imposto pelos da casa.
O resultado final foi de 0-2, o que, por si só, revela de forma evidente a superioridade da equipa da Luz e o vexame sofrido pelo Barcelona.
No final do jogo, Jorge Jesus (que depois foi visto a cear com o presidente do Barcelona), esfusiante com o resultado, declarou: "Estamos fortes. Estamos muito muito fortes".

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